domingo, 3 de julho de 2011

Dicas para trabalhar com aluno surdo em sala de aula


1- Para contar histórias (oralizadas) aos alunos, se você tem na sala alunos surdos ou com deficiência auditiva, utilize recursos visuais e, ao longo da narrativa, observe se as crianças – mediante, por exemplo, expressões de admiração, medo, riso, etc. – demonstram compreender o que está ocorrendo. Utilize objetos: bonecos, bichos, carrinhos, casinhas, etc. Ao terminar, peça aos alunos que desenhem a história e então procure perceber no desenho da criança surda os detalhes das cores, dos tamanhos e, sobretudo, dos sentimentos que se evidenciam no texto: medo, maldade, alívio, etc.

Faça kits de “contação” de histórias:

1. Avental de histórias;
2. Saco de histórias;
3. Caixa de histórias;

2- Ao contar histórias lidas, observe-se o livro está sendo visto pelo aluno. Deixe-o sempre na posição que possa observar os detalhes da escrita e da ilustração. Peça também, ao final, que os alunos desenhem ou reescrevam a história. Conte então novamente a história, apontando com o dedo para as ilustrações e para o texto. Se possível faça tarjas com o texto da história e as coloque na parede.

* Não se esqueça que os alunos surdos/DA perdem muito da abstração que a linguagem nos oferece, por isso procure dar vida – cor, cheiro, textura e gosto – á história.

3- Para a alfabetização, principalmente se você tem alunos surdos/DAs, não é muito indicado que utilize o método sintético – silabação. A escrita deve estar sempre associada ao seu significado, ou seja, a palavras, frases ou textos. Faça uma atividade de escrita dos nomes dos objetos da sala e, em seguida, afixe-os nos lugares correspondentes a eles: porta, janela, lousa, etc. Faça listas de outros objetos da escola, da casa, da cidade, do parque, da igreja, etc.

4-Faça um painel com as letras do alfabeto e, na vertical, na direção da letra, peça aos alunos que colem figuras e escrevam o nome correspondente.

5- Recorte figuras de revistas, cole-as em cartolina, faça legendas que as descrevam e pendure-as na parede da sala. Alguns dias depois, retire as legendas e peça que, com basenas figuras, os alunos reescrevam as legendas.

6- Faça um painel com rótulos de produtos. Faça a leitura desses rótulos, associando-os á utilização dos produtos a que correspondem. Essa atividade possibilita ao aluno surdos/DA ampliar e especificar a linguagem por meio do vocabulário.

7-Caso haja surdos/DAs em sua turma, para auxiliar a memorização da escrita, faça crachás com os nomes de todos, incluindo o seu, para serem usados durante a aula.

8- Para fazer um ditado, utilize desenhos, objetos, ou diga as palavras de forma bem pausada, olhando para os alunos. Esta última forma auxilia o surdos/DA na aprendizagem da leitura labial. Você pode também utilizar a mímica de animais: macaco, onça, pássaro, etc; objetos: escova de dentes, peças de vestuário, livro, etc; ações: nadar, pular, escrever, etc.

9- Para escrever os nomes das cores, utilize o lápis da cor escrita. Por exemplo, escreva vermelho com lápis vermelho, etc. Peça que os alunos façam a bandeira do Brasil, de cada um dos Estados, etc.

10- Escreva palavras faltando letras, para que sejam completadas. A essas palavras associe desenhos. Essa atividade chama a atenção dos alunos para o número de letras necessário á composição das palavras. No caso dos alunos surdos/DAs, que não percebem o nível fonético da língua, a atividade também auxilia na construção do conhecimento da escrita, o qual se realiza por meio do recurso da memória visual.

11-Faça com seus alunos um álbum de fotos de família e peça que escrevam os respectivos nomes de seus familiares. Os alunos DVs (deficientes visuais) poderão descrever os familiares oralmente e ter a escrita dos nomes feita por outro colega. Neste caso, tanto os DVs quanto aqueles que forem ajuda-los mobilizarão capacidades: os primeiros, para descrever o melhor possível seus familiares; os segundos, para interpretar as descrições efetuadas e relacionar corretamente nomes e fotos.

12- Faça um quebra-cabeça de palavras associando-as um desenho, pois as imagens constituem um suporte importante no processo de aprendizagem.

13- Faça palavras cruzadas com nomes de alunos da classe ou com outras palavras, sempre associadas a uma imagem.

14- Para auxiliar a escrita de textos, faça com os alunos alguns passeios pelos arredores da escola e peça que descrevam, na modalidade escrita, o que viram. Os alunos DVs poderão descrever as sensações oralmente, as quais serão registradas por outro colega.

15-No caso de haver DVs em sua classe e tais alunos não terem disponível o método Braille, faça para eles um alfabeto móvel. Este pode ser feito de vários materiais: madeira, papelão, rolos de jornal, etc. As letras de rolo de jornal são produzidas assim:

* Enrole a folha de jornal na posição diagonal, mantendo-a sempre o mais apertado possível.
* Ao terminar, passe cola na ponta que ficou solta.
* Modele então a letra – para isso, use a fita adesiva.

Você poderá fazer também cartelas com letras em alto-relevo, usando sementes, restos de lixa de ferro oumadeira, etc.

16- Se você tem alunos DVs, torne suas aulas mais auditivas. Todos os textos utilizados devem ser lidos em voz alta, se for necessário mais de uma vez. A compreensão e a interpretação do texto devem ser sempre feitas oralmente, antes de ser escritas.

17- Para alunos que ainda não identificam as letras, o professor pode desenvolver jogos que envolvam as letras. Por exemplo:

* Faça um alfabeto de cores: amarelo, branco, creme, dourado, etc.;
* De objetos: aliança, boneca, carroça, etc.;
* De frutas: abacate, banana, carambola, damasco, etc.;
* De nomes de pessoas, etc.;

18- Para ensinar letras e números, faça em sua sala de aula um jogo de bingo. Você pode fazer duplas, caso você tenha em sua sala crianças com deficiência mental ou visual, para que eles possam identificar mais facilmente os itens sorteados. Você pode variar esse jogo, fazendo uma relação entre quantidade e número: por exemplo, na figura da cartela aparecem três objetose você diz “três”. Isso também pode ocorrer com as letras. Você sorteia a palavra e a criança tem de marcar a letra inicial dela, que está na cartela.

19- Na apresentação e memorização das famílias silábicas utilizar palabras que se repetem ritmicamente, permeando uma poesia, uma parlenda ou uma canção (por exemplo: "A flor amarela" de Cecília Meireles). Os exercícios tanto orais quanto escritos poderão ser feitos vinculados a um texto desde o vocabulário básico, silabação, interpretação até uma atividade mais lúdica como um jogo de rimas com cores (fichas azui escrito pão, mão, não, etc, fichas rosas escrito fada, nada, cada, etc, distribuídas aos alunos, um começa levantando sua ficha e a completa formando pares);

20- Partindo do próprio nome da criança, criar novas palavras associando-as ás características da criança. Formam-se frases do tipo: "Paulo pegou um pequeno pato", "Pegou as peras e preparou um apetitoso prato". Esta frase é construída em conjunto com a classe e o nome a ser trabalhado deverá ser colocado espontaneamente para o grupo trabalhar. O professor deve ter o cuidado de explicar e explorar o vocabulário por ele e a turma escolhido e trabalhado.

21- A repetição rítmica de uma simples quadrinha, com palmas ou outras batidas corporais, com certeza será bastante enriquecedora, dando condições para uma estruturação rítmica, e conceitos de sequência e seriação. Estes conceitos serão transpostos gradativamente a estrutura frasal.

22- Reunir a classe, pedir que dêem uma outra direção ao fim de uma história já conhecida de todos como os contos infantis, inserindo outras ações nas falas dos personagens.

23-“SACO DAS NOVIDADES”
Objetivos: Estimular na criança a habilidade de expressar-se perante um grupo;
Desenvolver na criança a capacidade de expor seus pensamentos de
Forma clara e organizada, situando-se no tempo e no espaço, utilizando este recurso como apoio.
Material: 1 saco de pano, com a inscrição SACO DAS NOVIDADES no centro e o nome da criança abaixo, em cola colorida, tinta para tecido ou bordado.
Desenvolvimento: Cada criança deve possuir seu próprio Saco das Novidades que será
levado para casa toda 6ª feira. Durante o final de semana colocará no saco um objeto ou qualquer material que represente ou faça parte de alguma atividade realizada neste período (seja um passeio, uma brincadeira, um lanche, um momento em casa,...).Se não houver possibilidade de colocar uma representação concreta, que seja então uma folha com um desenho da atividade desenvolvida.O Saco das Novidades deve ser trazido e explorado em sala sempre na 2ª feira. A criança mostra o objeto e conta em (no caso de alunos surdos/DA pode ser contando em língua de sinais) o que ele significa que atividade representa, onde e quando foi realizada, quem participou dela.... Se não consegue fazê-lo espontaneamente o professor pode,num primeiro momento, auxiliar fazendo-lhe alguns questionamentos: “O que você trouxe aí?”, “É seu? Não? De quem é?”,“Quando fez isto, foi no sábado ou no domingo?”, “Você gostou?”,...
A partir dessa socialização o professor pode propor aos alunos outras atividades, como criação de frases, pequenos textos, histórias em quadrinhos, ilustrações, e etc.
24-Na apresentação e memorização das famílias silábicas utilizar palavras que se repetem ritmicamente, permeando uma poesia, uma parlenda ou uma canção (P.e. "A flor amarela" de Cecília Meireles). Os exercícios tanto orais quanto escritos poderão ser feitos vinculados a um texto desde o vocabulário básico, silabação, interpretação até uma atividade mais lúdica como um jogo de rimas com cores (fichas azuis escrito pão, mão, não etc., fichas rosas escrito fada, nada, cada, etc., distribuídas aos alunos, um começa levantando sua ficha e a completa formando pares).

25- Para trabalhar a percepção visual das palavras sugerimos listas e rimas onde uma palavra pode ser transformada em outra com significado completamente diferente. (P.e. - sol, sal, mal, mar ou longe, monge, monte, morte, morto, porto, perto). Esta atividade tem que ter o cuidado de trabalhar o vocabulário e o significado das palavras procurando trazer tudo o que é falado para situações concretas ainda que seja com ilustração. As palavras deverão ter sido trabalhadas anteriormente com a criança e, este trabalho deve ser delegado a família.

26- Empregar dramatizações com as crianças, ou com confecção de bonecos, fantoches desenhados e pintados no dorso e na palma da mão com caneta esferográfica e complementados com fios, papéis, etc. Ajudam aos alunos, principalmente os com necessidades educacionais especiais, a prestarem mais atenção na dramatização, e assimilar melhor o conteúdo que o professor deseja transmitir.

27- A repetição rítmica de uma simples quadrinha, com palmas ou outras batidas corporais, com certeza será bastante enriquecedora, dando condições para uma estruturação rítmica, e conceitos de seqüência e seriação. Estes conceitos serão transpostos gradativamente a estrutura frasal.

28- Antes iniciar um conteúdo, com um aluno surdo, deverá trabalhar os aspectos da sua colocação social e o vocabulário próprio, seu significado. Melhor seria utilizar a LIBRAS, mas na ausência desta estabelecer com o aluno sinais e gestos específicos para cada palavra a ser utilizada.

29-Mímicas:
-Confeccionar vários cartões com palavras que estejam sendo trabalhadas.
-Sortear os cartões entre os alunos que terão que ler a palavra,
reconhecê-la, de preferência sem ajuda, e representá-la através de mímica para que os colegas descubram qual é.
- Aproveitando a brincadeira: a resposta não pode ser falada,precisa ser escrita no quadro pois o objetivo é o português.
-As palavras ficam no quadro até o final das apresentações e depois são copiadas por todos sendo aproveitadas em outras atividades.
- As apresentações dos alunos também podem ser registradas em forma de texto.

30- Quando o professor, for oferecer á classe um extenso texto escrito, sugerimos que o mesmo seja intercalado de ilustrações ricas e significativas. No final do texto de um pequeno vocabulário com as palavras que os alunos não conhecem poderá ser elaborado pela classe toda. Feita a lista, formam-se duplas para buscarem no dicionário o significado da palavra. Desta forma o professor facilitará a compreensão do texto e oferecerá a possibilidade de uma orientação individual pelo colega de classe que formará com ele a dupla.

No link abaixo você encontra mais sugestões de atividades para trabalhar conteúdos de lingua portuguesa com alunos surdos/DA:

http://portal.mec.gov.br/seesp/index.php?option=content&task=view&id=156&Itemid=308

Atividades para Testar e Desenvolver a Audição Infantil


A audição infantil precisa ser testada e exercitada desde cedo, isto quer dizer, tão logo seja capaz de interagir com você através do olhar.

Coisas simples que não exige gasto algum, e que qualquer um pode fazer para testar e desenvolver a audição do seu filho; em casa ou numa escola.

O Bebê pode ouvir sons antes mesmo de nascer. Assim, não é surpresa que durante os primeiros nove meses de vida, ele seja capaz de:

* Ouvir e responder aos sons e vozes à sua volta;
* Divertir-se ouvindo histórias;
* Responder ao ser chamado pelo nome

Poucas semanas após ter nascido, a capacidade auditiva da criança deve ser testada. Isto é vital já que as crianças aprendem a linguagem ouvindo, e a maioria do desenvolvimento da linguagem infantil ocorre nos primeiros dois anos da sua vida. Se um problema de audição não for detectado até ela entrar na escola, ela já terá seu desenvolvimento psicológico totalmente comprometido.

Mesmo depois de ter testado a capacidade auditiva do bebê, você precisa e deve continuar a fazer auto-testes em casa. Sua criança pode ter algum indício de perda auditiva se, quando for récem nascida, ela NÃO apresenta alguns dos seguintes indícios:
a) NÃO Se assusta, move, chora ou reage a barulhos e sons inesperados;

b) NÃO Desperta com barulho;

c) NÃO Move sua cabeça em direção ao som da sua voz ou de outros;

d) Naturalmente NÃO imita o som que ouve.

Nesse caso, você deverá consultar seu pediatra. Mais de 3 milhões de crianças, apenas na América do Norte, tem problemas de audição. No Brasil, como sempre, não existem estudos ou números a esse respeito, mas estima-se que seja um volume semelhante apesar da população ser menor.

Dessas crianças, cerca de 45 por cento (1.4 milhões) tem menos de 3 anos de idade.

Mesmo que sua criança possa ouvir imediatamente, o que ela escuta pode não lhe interessar naquele momento, assim ela pode não dar atenção. Aprenda e entenda esses episódios, mas não deixe de prestar atenção aos sinais, e continue reforçando sua observação e testando sua audição.
Eis aqui 5 (cinco) atividades que você e sua criança podem fazer juntos, para trabalhar seu potencial auditivo:
1) Falando com o Bebê:
. Faixa etária: Do nascimento em diante

Escute e fale com sua criança durante todo o dia. Não importa se ela não responde. Quando você fala com ela, você está lhe mostrando como usar os lábios e a língua. Aprenda o significado do choro e gestos do seu filho. Ouça os sons que ele faz e observe o modo como ele move seu corpo.

Faça uma imersão total do seu bebê através de palavras. Por exemplo, quando estiver vestindo sua roupa, dê nomes as cores e as coisas que você estiver colocando na cabeça e corpo dele.

Cumprimente-o toda vez que o ver. Diga seu nome frequentemente; por exemplo:
"Ôi Alberto, você dormiu bem? ", ou "Alô, Alberto, você precisa trocar as fraldas?"

Essas conversações podem parecer algo além da compreensão do bebê, mas lhe dão confiança, e enfatizam o quanto você gosta dele.
2) Cantando para o Bebê:
. Faixa etária: Do nascimento até os 3 anos

Cante para seu bebê. Quando seu filho estiver acordado, cante para ele com voz suave e melodiosa. Tente apenas entoar ou cantalorar algo em tom ameno e amoroso. Isso vai ajudá-lo a acalmar-se, e confortá-lo quando estiver agitado ou chorando (se não for o caso de choro provocado por doença). Não se preocupe se você não tiver dotes musicais apurados - para seu bebê isso não faz a menor diferença. Ele se contentará com os sons que você faz. O que lhe importa é sua presença, ali, do seu lado.

Quando o estiver alimentando, trocando fraldas, e lhe dando banho, as cantigas de ninar serão um alento para ele. Desse modo, aprenderá que a comunicação dele com você é importante, e que as pessoas prestam atenção quando estão falando umas com as outras.
3) Lendo para o Bebê:
. Faixa etária: Do nascimento em diante

Leia para seu Bebê. Nada estimula mais a inteligência de uma criança que escutar você falar. Os livros ilustrados com figuras e desenhos são magníficos para esta idade. O importante é que tenham uma ou duas palavras por página e ilustrações coloridas. Desenhos são mais definidos para seus olhos que as fotos. Deixe o bebê olhar todas as ilustrações à vontade e sem pressa.

A medida que vai crescendo, deixe que explore as páginas de livros que contenham mais palavras. Nesse estágio, ele se diverte ouvindo sua voz e encontra nisso calma e grande conforto emocional.
4) Explique os Sons:
. Faixa etária: Do nascimento até os 3 anos

Seja isto o zumbido de um avião, ou o ronronar de um gato, observe que, aquilo que seu filho escuta, permite-lhe ajudar a entender, criar imagens mentais, imaginar e compor os elementos do seu meio ambiente.

Considere gravar os sons que ele faz aos 3 meses de idade, e a cada 3 meses de vida.

Mostre-lhe os sons, de modo que ele se divirta ouvindo a si mesmo.

Tente lhe explicar que, a voz que está ouvindo pertence a ele.


5) Ensinando o Bebê:
. Faixa etária: Do nascimento até os 3 anos

Dê ao bebê instruções simples através de gestos e palavras. Diga a palavra "sorria" e então faça o gesto do sorriso. Ele aprenderá a imitar suas ações. E, à medida que se desenvolve, levante suas mãos ou pés e diga, "pra cima" então, abaixe-os e diga, "pra baixo".

Quando for crescendo, aponte e olhe na direção de um objeto e identifique-o. Por exemplo, aponte para seu carrinho e diga, "carro". Pegue o carrinho e identifique-o outra vez. Logo, quando você disser "carro", ele será capaz de apontar por si mesmo para o brinquedo e eventualmente pegá-lo.

Ajude seu filho a descobrir a si próprio. Coloque-o sobre um cobertor e se ajoelhe diante dele. Abaixe seu rosto de modo que fique à mesma altura do dele. Toque seu rosto e diga "rosto". Então, coloque as mãos dele sobre seu rosto, e repita. Faça a mesma coisa com outras partes do corpo, como nariz, boca ouvidos, etc.

Use sua imaginação e crie novas atividades.

Fonte da Pesquisa: Departamento de Educação Pública dos Estados Unidos

terça-feira, 27 de julho de 2010

Aprovado projeto de lei que torna obrigatório teste para detectar deficiência auditiva de bebês

Os especialistas recomendam o exame nos primeiros seis meses de vida. Depois da sanção presidencial, caberá a estados e municípios regulamentar a medida e determinar como os hospitais vão realizar o teste.
De cada mil crianças que nascem no Brasil todos os anos, pelo menos duas apresentam algum tipo de deficiência na audição. Agora, um teste obrigatório vai detectar esses problemas ainda na maternidade.
Só quando Marina completou quatro meses, os pais perceberam que ela não escutava direito. “Ela não se assustava com barulho, não acordava com barulho. E aí comecei a indagar se ela tinha problema auditivo ou não”, contou Pedro Pegolo Filho, pai de Marina.
Marina passou por uma cirurgia, colocou um aparelho e hoje, com um ano e dois meses, ouve tudo.
A Ciência já sabe que os recém-nascidos são capazes de reagir a todos os tipos de som, principalmente os mais fortes. Muitos pais acreditam que aquele susto que o bebê leva com o ruído da buzina de um carro, por exemplo, já é prova suficiente de uma audição perfeita. A descoberta de um problema auditivo nem sempre é tão simples assim.

Um projeto de lei aprovado no Congresso torna obrigatória a triagem auditiva, conhecida como teste da orelhinha, em todos os recém-nascidos. O exame detecta deficiências sutis que não são percebidas no dia a dia.
“Imaginamos que 5% a 10% da população brasileira de recém-nascidos fazem a triagem auditiva durante o ano”, afirmou Doris Lewis, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.
Durante o teste, um pequeno fone é colocado no ouvido do bebê. O aparelho emite um som fraco. O ruído "viaja" pela cóclea. Ao detectar o sina, os cílios se movimentam e emitem uma resposta, que é registrada pelo equipamento.
Se houver problemas na audição, os cílios não se mexem e o aparelho nada registra. Pedrinho, com dois dias de vida, fez o teste. “O bebê ficou tranquilo, não se machucou e é uma prevenção também”, disse Adelson Santana Maciel, pai de Pedrinho.
Os especialistas recomendam o exame nos primeiros seis meses de vida. “Hoje, sabemos que a detecção precoce do problema auditivo é fundamental pro melhor prognóstico. Ou seja, pro melhor desenvolvimento dessa criança”, declarou a fonoaudióloga Flávia Ribeiro.
É o que os pais esperam de Marina. “Ela vai participar, vai estudar em escola normal, sem ter necessidade de linguagem de sinais, nada disso”, disse Pedro.

O presidente Lula tem até a semana que vem para sancionar e lei. Depois, caberá a estados e municípios regulamentar a medida e determinar como os hospitais vão realizar o teste nos recém-nascidos.

Fonte:
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/07/aprovado-projeto-de-lei-que-torna-obrigatorio-teste-para-detectar-deficiencia-auditiva-de-bebes.html

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A Língua de Sinais deve ser a primeira língua da criança surda...


A língua de sinais deve ser a primeira língua (ou uma das primeiras) adquirida pelas crianças com uma perda auditiva severa. A língua de sinais é uma língua natural, plenamente desenvolvida, que assegura uma comunicação completa e integral. Diferentemente da língua oral, a língua de sinais permite às crianças surdas em idade precoce de comunicar com os pais plenamente, desde que ambos adquiram-na rapidamente.
A língua de sinais tem papel importante no desenvolvimento cognitivo e social da criança e permite a aquisição de conhecimentos sobre o mundo circundante. Permitirá à criança um desenvolvimento de sua identificação com mundo surdo (um dos dois mundos aos quais a criança pertence) logo que entre em contacto com esse mundo. E mais, a língua de sinais facilitará a aquisição da língua oral, seja na modalidade escrita ou na modalidade falada. É sabido que uma primeira língua adquirida com normalidade, trate-se de uma língua oral ou de uma língua de sinais, estimulará em grande medida a aquisição de uma Segunda língua.
Finalmente, o fato de ser capaz de utilizar a língua de sinais será uma garantia de que a criança maneja pelo menos uma língua. Apesar dos consideráveis esforços feitos por parte das crianças surdas e dos profissionais que os rodeiam, e apesar do uso de suportes tecnológicos, o fato é que muitas crianças surdas têm grandes dificuldades para perceber e produzir uma língua oral na sua modalidade falada. Esperar vários anos para alcançar um nível satisfatório que pode não ser alcançado, e negar durante esse tempo o acesso da criança surda a uma língua que satisfaça as suas necessidades (a língua de sinais) é praticamente aceitar o risco de um atraso no seu desenvolvimento lingüístico, cognitivo, social ou pessoal.
Os estudos em indivíduos surdos demonstram que a Língua de Sinais apresenta uma organização neural semelhante à língua oral, ou seja, que esta se organiza no cérebro da mesma maneira que as línguas faladas. A Língua de Sinais apresenta, por ser uma língua, um período crítico precoce para sua aquisição, considerando-se que a forma de comunicação natural é aquela para o qual o sujeito está mais bem preparado, levando-se em conta a noção de conforto estabelecido diante de qualquer tipo de aquisição na tenra idade.

domingo, 6 de junho de 2010

Curso gratuito para pais de crianças com deficiência auditiva


Pelo oitavo ano consecutivo, o Hospital Samaritano de São Paulo – por meio de Instituto de Conhecimento, Ensino e Pesquisa e do Núcleo do Ouvido Biônico – realizará no dia 29 de maio o Curso para Pais de Crianças com Deficiência Auditiva. O evento será aberto para a comunidade e gratuito.

O Hospital Samaritano é um centro de excelência em implante coclear - o chamado ouvido biônico. A instituição é responsável por aproximadamente 10% dos procedimentos cirúrgicos realizados em todo o Brasil.

“Familiares bem informados possuem melhores condições de escolher um tratamento adequado para o deficiente auditivo”, explica a coordenadora do curso, Maria Cecília Bevilacqua.

Tópicos a serem abordados:

* Deficiência Auditiva: Etiologia e Tratamento.
* Avanços tecnológicos nos dispositivos eletrônicos para tratamento da deficiência auditiva.
* Entendendo o Sistema de Frequência Modulada.
* Implante Coclear Bilateral.
* Habilidades auditivas e de linguagem e estratégias facilitadoras no dia-a-dia da criança e dos familiares.
* Criança deficiente auditiva e os primeiros anos na escola: considerações importantes para pais e professores.

Palestrante internacional: Anne Beiter, PhD – Audiologista Diretora Clínica da Cochlear Ltda, autora de vários capítulos de livros e publicações em revistas especializadas sobre Implante Coclear em crianças e adultos.

Curso para Pais de Crianças Deficientes Auditivas
Data: 29 de maio de 2010
Horário: 8h30 às 16h30
Local: Espaço Russel (Rua Conselheiro Brotero, 1505, 9º Andar, em frente ao Pronto-Socorro Adulto do Hospital Samaritano)
Inscrições e informações: (11) 3821-5871

Gente Eficiente - AJUDE A DIVULGAR:

O Gente Eficiente é um programa do Hospital Israelita Albert Einstein que oferece oportunidades de capacitação, contratação profissional, desenvolvimento pessoal e inclusão social para pessoas com deficiência.

Todos os cursos e treinamentos são gratuitos e realizados pela equipe de profissionais (médicos, enfermeiros e professores da Faculdade de Enfermagem e Escola Técnica Albert Einstein).

Desde 2009, aproximadamente 40 profissionais já foram capacitados em cursos como copeiro hospitalar, atendimento ao cliente e formação no Ensino Médio. Deste total, 60% foram contratados pela Instituição.


O programa de capacitação profissional conta com três frentes de atuação:

* Formação no Ensino Médio, disponível tanto para os profissionais deficientes já atuantes no Einstein quanto para o público externo;
* Cursos profissionalizantes de curta duração, para profissionais que já possuem o ensino médio completo, em diversas áreas;
* Apoio financeiro para cursos técnicos e de graduação para os funcionários Einstein com deficiência.


Para inscrições e informações ligue (11) 2151-7437 ou envie um currículo para o e-mail: genteeficiente@einstein.br

A perda auditiva em crianças

Apesar de invisível e silenciosa, a perda auditiva é uma das deficiências congênitas mais comuns, afetando de 2 a 4 bebês em cada mil. Difícil de se detectar mesmo em crianças mais velhas, muitas vezes é confundida com falta de atenção.

Pode ter origem genética ou resultar de infecção pré-natal, das chamadas infecções TORCH (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes e “outras”), que podem atacar um feto em desenvolvimento e prejudicar a audição.

Antes da imunização, a rubéola era a maior ameaça, causando surdez, perda de audição e danos cerebrais. Hoje, o culpado mais comum é o citomegalovírus, uma infecção que pode não causar sintomas numa mulher grávida, mas afetar seu feto em desenvolvimento – especialmente se ela contraí-la no primeiro trimestre. A perda auditiva pelo citomegalovírus pode se desenvolver apenas depois do nascimento da criança.

Bebês prematuros ou aqueles doentes o bastante para precisarem de um tempo na UTI de recém-nascidos, também sofrem riscos de perda auditiva, algumas vezes pela privação de oxigênio, outras por infecções graves e outras por medicamentos.

Os fatores genéticos envolvidos são incrivelmente complexos. A perda auditiva pode fazer parte de mais de 400 síndromes genéticas. Em casos que não envolvem uma síndrome, mais de 100 genes diferentes podem estar implicados.

Os pais nem sempre estão cientes de que o problema tenha existido em outros membros da família e até 95% das crianças com perda auditiva genética nascem com audição normal.

Exame

Assim, como se testa a audição de um recém-nascido?

Existem duas tecnologias diferentes. Em emissões otoacústicas, um minúsculo microfone é inserido no ouvido de recém-nascido adormecido, para medir ecos da cóclea quando esta é estimulada pelo som. Com o exame auditivo automatizado de resposta da haste do cérebro, alguns pequenos eletrodos adesivos são colocados na cabeça do bebê para medir a resposta do cérebro a sons baixos.

O exame é o primeiro passo no chamado plano 1-3-6: examinar os bebês com 1 mês de idade, fazer uma avaliação diagnóstica aos 3 meses em todos os que não passaram, e colocar esses bebês em tratamento aos 6 meses.

Uma pesquisa conduzida na década de 1990 pela Universidade do Colorado, mostrou que as crianças que foram ajudadas aos 6 meses apresentavam um melhor desenvolvimento de fala e linguagem do que aquelas em que o problema foi identificado mais tarde.

A ajuda pode vir em forma de terapia de fala e linguagem, aconselhamento e treinamentos para pais e amplificação, incluindo dispositivos de audição, se necessário.

Crianças que nascem com audição normal e são aprovadas no exame, mas desenvolvem perda auditiva após o nascimento, podem passar despercebidas. Afinal, a audição pode se deteriorar também depois do nascimento – e a causa podem ser fatores genéticos, citomegalovírus ou danos gerados por trauma na cabeça, meningite ou exposição a barulhos muito altos.

A perda auditiva pode se desenvolver em qualquer momento da infância. Sempre que os pais tiverem alguma suspeita a respeito da audição de uma criança, seja a audição seletiva, a fala ou a linguagem, eles realmente precisam verificar a audição da criança.

A partir do texto What to Do When a Newborn Can't Hear, de Perri Klass, publicado pelo The New York Times, em 10/5/2010.